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Médico é suspeito de adiantar a morte de pacientes em Itajaí

Gustavo Deboni da Silva está proibido de atuar por seis meses desde terça-feira (25)

ISABELA CORRÊA, ITAJAÍ2

O CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) divulgou, nesta quarta-feira (26), que o médico Gustavo Deboni da Silva está proibido de exercer a profissão por seis meses. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ele é suspeito de abreviar a vida de oito pacientes, de 2017 a 2019, no Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí.

O médico atuava também no hospital Ruth Cardoso, de Balneário Camboriú. A suspensão iniciou na terça-feira (25).

Médico dos hospitais Marieta e Ruth Cardoso é proibido de exercer a profissão – Foto: Bruna Stroisch/ND

O motivo da interdição cautelar de Gustavo Deboni da Silva, não foi divulgada pelo CRM-SC – Foto: Divulgação internet

O médico Deboni declarou sempre ter exercido a medicina de forma íntegra e ética nos 20 anos de carreira. Segundo ele,tudo será esclarecido em breve.

“Sobre a decisão preliminar, não tive ainda a oportunidade de me defender, que reafirmo, será realizada da forma correta. Isso apenas representa uma questão política em virtude do cargo que ocupava”, alega Deboni, que atua na gerência médica do Marieta.

Os fatos, supostamente ocorridos entre os anos de 2017 e 2019, chegaram ao conhecimento do MPSC, em meados de março de 2020, por intermédio de representação encaminhada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

A 13ª Promotoria de Justiça de Itajaí também já requisitou a instauração de Inquérito Policial à Divisão de Investigação Criminal (DIC), de Itajaí, para que seja apurada a eventual prática de crimes contra a vida. O inquérito foi instaurado e está em tramitação.

Hospital Marieta K. Bornhausen

O hospital se pronunciou por meio de nota oficial. O comunicado afirma que sempre agiram dentro da legalidade, acatam e cooperam com os órgãos competentes e de classe.

A nota do Marieta diz, ainda, que os fatos serão apurados conforme o sigilo dos processos determina. E salientou que a instituição nunca havia recebido qualquer denúncia referente ao gerente médico.

Prefeitura de Balneário Camboriú

A prefeitura de Balneário Camboriú afirmou que, após a comunicação da decisão do CRM-SC, a Secretaria Municipal de Saúde entrou em contato com a terceirizada que presta serviço ao Hospital Ruth Cardoso, e solicitou o cumprimento da decisão do Conselho.

Assim como a direção do Marieta, a secretaria ressaltou nunca ter recebido qualquer denúncia sobre Gustavo Deboni da Silva.

Nota oficial do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina

“O CRM-SC, autarquia federal fiscalizadora da atividade médica no Estado de Santa Catarina, esclarece que o art. 1º do Código de Processo Ético Profissional (Resolução CFM nº 2.145/2016) proíbe a divulgação de informações relativas às sindicâncias e processos ético-profissionais em
tramitação ou já julgados, excetuadas as penas públicas, em razão do sigilo processual, conforme segue abaixo:

Art. 1º – A sindicância e o processo ético profissional (PEP) nos Conselhos
Regionais de Medicina (CRM) e no Conselho Federal de Medicina (CFM) serão regidos por este Código de Processo Ético-Profissional (CPEP) e tramitarão em sigilo processual.

Parágrafo único. As sanções confidenciais, previstas no art. 22, letras “a” e “b” da Lei nº 3.268/1957, não poderão ser tornadas públicas, mesmo após a conclusão definitiva do PEP.

Todas as penas públicas, assim como as Interdições Cautelares de médicos podem ser encontradas diretamente no site do CRM-SC:
https://crmsc.org.br/sancoes-disciplinares/.

No caso das Interdições Cautelares, os médicos ficam impedidos de exercerem a Medicina até que o processo ético-profissional seja julgado.

O CRM-SC informa além das medidas no âmbito conselhal, o Ministério
Público da Comarca de Itajaí também está ciente do caso.

Florianópolis, 26 de agosto de 2020”

Outras denúncias

Em 2010, Deboni e outro médico, Danilo da Cunha, foram acusados de ter cobrado R$ 5 mil por um procedimento feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Hospital Santa Inês, em Balneário Camboriú.

Após a a cirurgia, a paciente morreu. Mesmo com o óbito, o processo prescreveu. A reportagem do Grupo ND entrou em contato com a família da paciente, que não quis dar entrevista. Segundo os familiares, ainda estão abalados, 10 anos após a perda.

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